quinta-feira, 21 de abril de 2022

Um dia

 Um dia vou organizar meus poemas

Escrever um livro

De palavras anátemas

A traduzir meu destino 


(Passado)

Um dia vou expor meus folículos

Lente de aumento

Pelos distorcidos, tão perto e melífluo 

Que esconde o intento


(Eu minto)


Um dia sujo em vinho tinto

Uma capa gasta do tempo

Abrirá para um tomo indistinto

De um caderno de jovem romântico 


(Perdi a rima. Droga!

Mas também

Já perdi o amor. Duas vezes na história

Ou projeção? Ou tramoia? Não confiem ((não confio)) nos poetas da hora

Pessoa já avisava)


Um dia talvez essas palavras

Que saem sem filtro de minha alma

Possam ressoar em algum lugar d’outro estar

Ser 

As vezes me confundo porque o bonito do verbo to be

É exatamente a imanência e a identidade fundidas 

I am é transitório 

No português não

Triste divagação 

Estou só a enrolar

Pra terminar um poema

Que também é fuga

Do compromisso do livro que fica pra depois

Do revirar intranquilo de tudo que já expus

De olhar pros meus poemas e filtrar minhas pendências

De terapia

E saudades

De uma alegria

Do que ficou…


Um dia irei publicar versos

Que revelarão

Aquilo que vazando de mim

Desmonta minhas barragens

Me destrói

Me consome

E me faz outra forma da água

Da alma que é fonte

E se deforma

Mas não sei esvai 






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