Um dia vou organizar meus poemas
Escrever um livro
De palavras anátemas
A traduzir meu destino
(Passado)
Um dia vou expor meus folículos
Lente de aumento
Pelos distorcidos, tão perto e melífluo
Que esconde o intento
(Eu minto)
Um dia sujo em vinho tinto
Uma capa gasta do tempo
Abrirá para um tomo indistinto
De um caderno de jovem romântico
(Perdi a rima. Droga!
Mas também
Já perdi o amor. Duas vezes na história
Ou projeção? Ou tramoia? Não confiem ((não confio)) nos poetas da hora
Pessoa já avisava)
Um dia talvez essas palavras
Que saem sem filtro de minha alma
Possam ressoar em algum lugar d’outro estar
Ser
As vezes me confundo porque o bonito do verbo to be
É exatamente a imanência e a identidade fundidas
I am é transitório
No português não
Triste divagação
Estou só a enrolar
Pra terminar um poema
Que também é fuga
Do compromisso do livro que fica pra depois
Do revirar intranquilo de tudo que já expus
De olhar pros meus poemas e filtrar minhas pendências
De terapia
E saudades
De uma alegria
Do que ficou…
Um dia irei publicar versos
Que revelarão
Aquilo que vazando de mim
Desmonta minhas barragens
Me destrói
Me consome
E me faz outra forma da água
Da alma que é fonte
E se deforma
Mas não sei esvai
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